domingo, 25 de agosto de 2013

Dia do Soldado: passeio histórico em localidades da Revolução de 32 no Setor Sul

Neste domingo, dia 25 de agosto de 2013, data em que se comemora em todo o Brasil o Dia do Soldado, pesquisadores dos núcleos de correspondência de Itapetininga, Campina de Monte Alegre e Buri, acompanhados de amigos de São Paulo, entusiastas da Epopéia Constitucionalista, realizaram um passeio histórico por localidades que durante a Revolução de 1932 foram teatro de operações de importantes combates ocorridos no Setor Sul de nosso estado.

Grupo defronte ao monumento do soldado constitucionalista
(Campina do Monte Alegre)

O passeio teve inicio às 8 horas da manhã desse dia em Itapetininga, localidade que durante a revolução sediou o quartel general do Exército Constitucionalista do Setor Sul, a comando do então coronel Brasilio Taborda. Segundo estatísticas da época, o setor sul sozinho chegou a arregimentar em armas mais de 10.000 soldados voluntários, militares da Força Pública do Estado de São Paulo (atual Policia Militar) e também simpatizantes da causa constitucionalista oriundos do Exército Brasileiro. As principais cidades sob a responsabilidade desse setor foram Itararé, Itapeva, Guapiara, Apiaí, Capão Bonito, Buri, Campina do Monte Alegre e São Miguel Archanjo. As estações ferroviárias da então Companhia Ferroviária Sorocabana, a saber, Engenheiro Hermillo, Ligiana, Aracassú, Victorino Carmillo, Buri e Rondinha, constituem as demais localidades que enorme destaque tiveram também nas páginas de idealismo e sacrifícios que os paulistas pertencentes a este setor escreveram.

Monumento à Aviação Constitucionalista em Campina do Monte Alegre

Integraram o grupo que participou desse passeio os pesquisadores Gisele, Julio Cesar (Cezinha) e Biajone, dos núcleos de correspondência de Campina de Monte Alegre, Buri e Itapetininga. bem como os amigos Wilkerson, Paula, Wladimir e Marilene, todos da capital paulistana. Após deixarem Itapetininga, a primeira parada do grupo foi a cidade de Campina do Monte Alegre, onde visitaram a praça "Campina de Heróis" na qual existem os monumentos ao Soldado Constitucionalista e à Aviação Constitucionalista.

Estação Engenheiro Hermillo em 25 de agosto de 2013

Desta cidade, seguiu o grupo para a Estação Ferroviária de Engenheiro Hermillo, ponto de embarque e desembarque de tropas constitucionalistas há 81 anos. Desta estação ferroviária, seguiu o grupo para a Estação Ferroviária da Ligiana, palco da ação em combate de vários batalhões paulistas, em especial do 1º Batalhão de Voluntários Santistas, cujo interessantissimo relato sobre essas duas estações e mais a Estação Ferroviária de Aracassú, também visitada pelo grupo, pode ser lido na íntegra neste link.

Ponte da Ligiana em 25 de agosto de 2013

Uma vez na Estação Ferroviária de Ligiana, o grupo visitou a famosa ponte da Ligiana, obra da engenharia paulista que transpõe o Rio Paranapanema e que durante a Revolução fora dinamitada a fim de obstruir o avanço das forças adversárias. No passeio pelo ponte e também pelos arredores da estação nos acompanhou o Sr. Marcos José Oliveira Albuquerque, pesquisador associado honorário correspondente do 16º NC de Campina do Monte Alegre e morador da região, além de profundo conhecedor da localização de linhas de trincheiras existentes em profusão na localidade.

Aqui existiu linha de trincheira paulista de centenas metros de extensão
(próxima da estação Ligiana, bem ao fundo morro onde a artilharia adversária existiu)

Além da estação e da ponte, Marcos também propiciou ao grupo uma visita a uma residência que à época da revolução serviu como enfermaria dos soldados feridos nos duros combates ocorridos na Ligiana.

Porção frontal da antiga enfermaria paulista

As instalações da então enfermaria, atualmente abandonada, são centenárias e deixaram aos visitantes uma ideia da precariedade existente e dos sacrifícios realizados por médicos e enfermeiros que ali serviram nos intensos meses de agosto e setembro de 1932.


Porção lateral da antiga enfermaria paulista

O passeio a esses arraiais históricos chegou a seu termo na residência do Sr. Marcos, o qual presenteou os integrantes com cápsulas de munição inoperante encontradas as madeixas em construções ocorridas na região. Algumas dessas cápsulas são centenárias, datando sua fabricação o ano de 1912.


Biajone, Wilkerson, Marcos e Cezinha

Além de restos de munição, pontas de lanças pertencentes a grupos indígenas que residiram nessa localidade há muitos e muitos anos antes da revolução também foram alguns dos achados que o pesquisador Marcos compartilhou com o grupo.


Cezinha tem em mãos pontas de lanças indígenas

Da estação da Ligiana, seguiu o grupo para a Estação Ferroviária de Aracassú, palco também de combates e de alojamento de soldados paulistas, como bem descreve a pena do voluntário Santos Amorim que nesta estação esteve nos primeiros dias de agosto de 1932.


tropas paulistas na Estação Aracassú em 1932
(Acervo Paulo Sérgio Santanna/Ricardo Della Rosa)

Paula e Wilkerson na Estação Aracassú em 25/08/2013

A contra-exemplo das demais estações ferroviárias visitadas pelo grupo, Aracassú encontrava-se em péssimo estado de conservação. De fato, os 81 anos passados da epopéia de 32 não despertaram o interesse das autoridades pertinentes no sentido de se manter tal monumento histórico perene para visitações de gerações futuras. Há inclusive rumores locais de que esta estação venha a ser muito em breve demolida. 


Porção do interior da Estação Aracassú em 25/08/2013

De Aracassú, o grupo seguir para a cidade de Buri, palco do combate de dezessete horas de duração ocorrido nos dias de 25 a 26 de julho de 1932, quando fortissima resistência foi empreendida por tropas paulistas, a frente de uma das quais, o bravo aluno oficial Ruytemberg Rocha, 2º tenente comissionado, faleceu em ação. Foi também neste combate que o Trem Blindado de nº 1, a comando do intrépido 1º tenente Afonso Negrão, teve o seu batismo de fogo e decisivo foi na cobertura da retirada paulista ao final das dezessete agonizantes horas que caracterizaram esses dois dias inesquecíveis. Outrossim, trincheiras existentes no rio que corta a cidade, bem como ambos os monumentos nela existentes, a saber, o da "Praça 9 de Julho" e aos "Heróis de Buri que tombaram por São Paulo" foram igualmente visitados pelo grupo.


Ladeando o Monumento aos Heróis de Buri tombados na Revolução de 32

Buri, cidade baluarte da defesa do Setor Sul pelas forças constitucionalistas tem intacta a sede da estação ferroviária que leva o seu nome, situada a aproximadamente 90 km de linha férrea de Itapetininga. Em ambos os topos do teto desta estação, encontram-se afixados faróis do inolvidável Trem Blindado de nº 1, como que a deixar ciente a todos os presentes que em Buri essa arma da genialidade bélica dos engenheiros da politécnica da Universidade de São Paulo ali fizera a sua maior contribuição militar.

Num dos topos da Estação Ferroviária de Buri: farol do Trem Blindado

De Buri, seguiu o grupo de pesquisadores e entusiastas para a cidade de Capão Bonito, onde, de 9 a 11 de setembro de 1932, ocorreu o combate do Rio das Almas e, a 16 e 19 do mesmo mês, o terrível combate do Cerrado. Nos arredores dessa cidade, ainda, de 27 de setembro a 3 de outubro de 1932, foi deflagrado o último cartucho da Revolução Constitucionalista no Setor Sul do estado, mais precisamente no atual bairro de Taquaral Abaixo, por soldados voluntários do lendário batalhão de universitários paulistanos, o "14 de Julho".


Placa indicativa do Rio das Almas na rodovia Capão Bonito-Itapetininga

O grupo finalizou dia de visitação a locais históricos da Epopéia de 32 visitando ainda as barrancas do Rio Paranapanema e, uma vez de volta à Itapetininga, despediram-se todos na certeza de que este inesquecível domingo, Dia do Soldado, passado em meio a locais palco de tanta história, idealismo e emoção, é indicativo de que a memória e os feitos de nossos antepassados paulistas, na luta que empreenderam pela Constituição, pela Liberdade e pela Democracia, jamais devem ser esquecidos.


SUSTENTAE O FOGO, QUE A VICTÓRIA É NOSSA!